A manipulação de moléculas com a finalidade de criar novas estruturas e materiais para aplicação em diversas áreas é o principal objetivo do uso da chamada "nanotecnologia" (o termo "nano" é derivado do grego e significa "anão"), que consiste no estudo da técnica de se encapsular substâncias com diâmetro entre 100 e 500nm (nanômetros; 1nm é a unidade de comprimento e equivale à bilionésima parte de um metro). Seu caráter multidisciplinar e o crescente potencial de utilização na área cosmética foram abordados nesta segunda-feira no Seminário: A Nanotecnologia Aplicada à Cosmética, que a Comissão de Cosméticos do CRQ-IV promoveu com o apoio do Sindicato dos Químicos, Químicos Industriais e Engenheiros Químicos do Estado de São Paulo (Sinquisp).
 
A palestra de abertura foi conduzida pela coordenadora do evento, a Engenheira Química Enilce Maurano Oetterer, integrante da Comissão e sócia diretora da Encosmética. Ela apresentou as definições de nanotecnologia, as relações com as ciências e seus avanços tecnológicos, tendo como foco a tendência na utilização de ativos e materiais encapsulados em aplicações cosméticas. Segundo Enilce, a nanotecnologia foi desenvolvida a partir da década de 1990 e tem tido uma aceitação crescente em diversos campos da Ciência, como Química, Engenharia de Materiais, Farmácia, entre outros.
 
Em seguida, a Farmacêutica-Bioquímica Natália Pereira Cerize, do Núcleo de Bionanomanufatura do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), abordou o tema "Plataformas tecnológicas de nanoencapsulação como estratégia no desenvolvimento de novos produtos cosméticos". Ela citou diversos exemplos de uso da nanotecnologia em cosméticos, tais como o desenvolvimento de marcadores gênicos para aplicações específicas na pele, a exemplo de hidratação e tratamento antienvelhecimento. Também apresentou pesquisas desenvolvidas pelo IPT, como a obtenção de nanopartículas lipídicas empregando cera de carnaúba contendo agente de proteção solar.
 
Também pesquisador do IPT, o Engenheiro Químico Adriano Marim de Oliveira iniciou a terceira palestra da programação situando a esfera de atuação de um instituto de pesquisas como intermediária entre academia e mercado. "Um dos desafios mais importantes é fazer com que projetos desenvolvidos na bancada possam ter a estabilidade necessária para serem viáveis em escala industrial", ressaltou. Diretor do Núcleo de Bionanomanufatura do IPT, Oliveira descreveu formas de síntese e caracterização de partículas.
 
Concluindo o ciclo de palestras do período da manhã, o professor Erick Leite Bastos detalhou o trabalho desenvolvido pelo grupo de pesquisa que coordena no Instituto de Química da USP, voltado para o estudo de pigmentos fluorescentes naturais, visando entender a relação entre a estrutura de uma substância e suas propriedades e criar novas substâncias químicas que possam ter diversas aplicações: desenvolvimento de sondas e marcadores fluorescentes para biologia celular, antioxidantes para aplicação em alimentos e cosméticos, tensoativos biodegradáveis e nanopartículas híbridas fluorescentes.
 
O encerramento do primeiro ciclo do seminário teve uma mesa-redonda com os palestrantes, aberta a perguntas do público.
 
Segundo bloco - A Bacharel em Química Simone Fanan Hengeltraub abriu a programação do período da tarde com a palestra "O uso de métodos alternativos in vitro para avaliação de segurança de nanomateriais". A chamada "nanossegurança" é constituída por procedimentos que visam avaliar se produtos baseados em nanotecnologia são seguros para uso humano, como o que verifica a rota de entrada de uma substância no organismo (por inalação, ingestão, deposição dérmica ou injeção).  Atualmente, Simone cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e é pesquisadora no Laboratório de Morfogênese e Bioquímica Vegetal da instituição. 
 
Betina Giehl Zanetti Ramos, diretora técnica da empresa Nanovetores, especializada em produtos encapsulados de alta tecnologia localizada em Florianópolis (SC), apresentou dados sobre a nanotecnologia na cosmética, com ênfase nas áreas de aplicação e na eficácia em cosméticos. Entre os benefícios gerados, ela citou o aumento da área superficial de contato dos produtos cosméticos, proporcionado pela utilização de partículas em escala nanométrica.  Para Betina, que é Farmacêutica,  "a nanotecnologia é, hoje, a principal ferramenta para gerar inovações".
 
A última palestra do seminário foi ministrada pelo Engenheiro da Computação Leandro Antunes Berti, especializado em softwares para o desenvolvimento de nanotecnologias, que trabalha como secretário-executivo no Arranjo Promotor de Inovação em Nanotecnologia (API.nano), vinculado à Fundação CERTI (Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras), instalada na UFSC. Além de se aprofundar em alguns aspectos da nanossegurança, sobre a qual escreveu um livro (publicado pela Cengage Learning) sorteado após a sua apresentação, enfatizou a importância de ser desenvolvida uma regulação específica, por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para a nanotecnologia. Desde agosto de 2014, a Anvisa possui um comitê interno específico para tratar do tema, instituído pela Portaria nº 1.358
 
O evento foi encerrado com uma mesa-redonda, aberta a perguntas do público, que reuniu os palestrantes do segundo bloco.
 
Aprimoramento - A Bacharel em Química Rosangela Conrado trabalha no Senai Mario Amato, de São Bernardo do Campo, uma das escolas que possuem cursos certificados com o Selo de Qualidade CRQ-IV. Sobre o seminário, avalia que o conteúdo será importante para a sua trajetória profissional. "Passei a atuar recentemente no Instituto Senai de Inovação, um núcleo voltado para pesquisas com materiais avançados em nanocompósitos. Ao mesmo tempo, como tenho interesse em trabalhar na área de Cosmetologia, o evento se tornou uma boa oportunidade para atualização", relata. 
 
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Fonte: CRQ-IV